Tudo sobre a gravidez
Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Parto

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Como já tinha referido num post anterior, comecei a sentir algumas contracções no dia 14 de Abril, mas a frequência das mesmas não era certa. Telefonei à minha médica que me esclareceu que estava em pré-parto, numa fase de lactência.

Não conseguia dormir nada, visto que as contracções já eram um pouco dolorosas, mas suportáveis.

As contracções continuaram dia 15 de Abril durante todo o dia e decidimos no final desse dia ir à urgência obstétrica. Conclusão: o colo do útero ainda não tinha dilatado nada, por isso falso alarme.

No dia 16 de Abril - data prevista pela minha médica para o dia do parto - fui à consulta já anteriormente marcada com a minha médica. Fiz o CTG  e na consulta a médica verificou que eu já tinha 3 cm de dilatação.

A médica aconselha-me a dar umas voltas, mas já perto da maternidade.

Nesse dia o meu marido tinha viajado para Évora e como tinha ido a conduzir até à consulta - apesar das dores que sentia - fiquei um pouco abananada, sem saber o que fazer.

Telefonei ao marido que iniciou de imediato a viagem até Lisboa e ele por sua vez telefonou a um colega de trabalho que gentilmente me foi buscar e me levou até à maternidade.

Como as contracções ainda não tinham começado a disparar decidi esperar pelo meu marido numa cafetaria enquanto lanchava.

No CPP sempre me disseram que o parto do primeiro filho iria ser demorado, por isso não estava nada preocupada. Tinha ainda muito tempo pela frente.

Entretanto o N. e dirigimo-nos à urgència da MAC. Eram 22:00h quando fui atendida. Após o CTG e a médica de serviço me ter observado, ficou decidido que seria internada. O único problema? A maternidade estava cheia e não havia quarto vago.

Tive que deambular pela casa de banho, sim, porque não estava autorizada a ir para os corredores.

Só pela 01:00h da manhã é que um enfermeiro me chamou para o quarto. Quando lá cheguei outra enfermeira de nariz empinado pergunta o que estou ali a fazer, visto que aquele quarto era para outra paciente. Eu ainda nem sequer me tinha deitado. Naquela altura havia já três enfermeiros dentro do quarto a discutirem acaloradamente a quem devia ser atribuído o quarto! Eu continuava de pé, sem saber se me deitava ou não!

Perguntei se me deitava e a enfermeira de nariz empinado replica, toda exaltada: «Temos uma multípara que está completamente descontrolada e que tem prioridade».

Respondo:«Se quiser também me posso descontrolar e desatar aqui aos gritos se isso me garantir que fico com o quarto!»

A mulher ficou possessa com a resposta!

Nessa altura já estava com aproximadamente 5 cm de dilatação e a minha preocupação era: se não tenho um quarto e a dilatação continuar assim, não vou poder levar epidural!

Por isso agarrei-me com unhas e dentes àquele quarto e contra-argumentava com a de nariz empinado para ver se a convencia a deixar-me ficar lá!
Lá fiquei e pedi a uma enfermeira para chamarem o meu marido.

Depois lá estávamos os dois a cambalear de sono, enquanto a dilatação decorria.

Como eu já tinha deixado bem claro à enfermeira de nariz empinado que queria epidural («Para quê se está tão controlada!» e eu respondo «Porque quero!») lá veio a anestesista dar-me a primeira dose.

Recomendo vivamente, porque se usufrui do momento e não se pensa nas dores das contracções.

Quando a minha dilatação estava quase nos 10cm o efeito da epidural já estava a desaparecer e, não vou mentir, as dores eram horríveis e nem sequer tinha tempo de respirar entre as contracções.

Pedi ao meu marido para falar com a enfermeira para me darem a segunda dose de epidural, mas como naquela altura havia mudança de turno, demorou um pouco. Eu já subia pelas paredes e apetecia-me esbofetear o anestesista que nunca mais vinha.

O abençoado anestesista lá veio dar-me a segunda dose de epidural e logo de seguida entrou a equipa médica para me observar, sim porque já estava ali desde as 22:00h do dia 16 e já era manhã e nada! A equipa era constituída por dois médicos e estagiários.

O Dr. House (o chefe da equipa) depois de observar-me afirmou para a equipa «Temos aqui um caso de uma parturiente que tem tudo para ter um bom parto - dilatação completa, contrações de 3 em 3 minutos -, mas com um senão: bacia estreita. Tenho pouca fé que consiga ter um parto normal. Será mais provável uma cesariana».

A inevitável cesariana, que a minha médica já apregoava à semanas atrás estava mais próxima do que eu esperava. Sempre acreditei que iria ter um parto normal.

Depois da saída da equipa, a enferneira parteira apercebeu-se que eu queria muito ter um parto normal e depois de me observar disse-me «Vai ver que vai conseguir ter um parto normal.» Era uma personagem engraçada, porque tinha uma forte pronúncia da "xerra".

Chamou o médico que constatou que seria possível um parto normal por fórceps e, caso isso não fosse possível, efectuar-se-ia a cesariana.

Lá me levaram para o bloco operatório, com mais uma terceira dose de epidural.

Não senti nenhuma dor durante o parto com fórceps. Após a introdução dos fórceps fiz força duas vezes e o P. nasceu.

Colocaram-no logo em cima de mim, mas devido à natureza do parto não pude tocar nele, visto que estava tudo esterilizado. Foi uma emoção indescritível conhecer finalmente o filho que durante nove meses transportei na minha barriga.

Depois de o terem lavado e de lhe terem efectuado os primeiros testes, trouxeram-mo finalmente.

Logo à saída do bloco operatório estava o N. à nossa espera e ficou deslumbrado com o filhote gorducho.

Sim, porque este traquina nasceu com 3.830kg! Descobri nesse momento que o meu excesso de peso não se devia propriamente à minha alimentação, mas a este gorduchito.

No recobro dei-lhe imediatamente de mamar, visto que era importante a primeira mamada ser dada imediatamente a seguir ao parto.

O meu parto foi uma experiência única que recomendo e não tenham medo deste dia. É uma experiência maravilhosa.

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publicado por xana às 00:53
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4 comentários:
De Sofia a 18 de Maio de 2008 às 21:58
Que giro, tivemps a mesma enfermeira! Essa enfermeira da "xerra" é muita fixe, foi quem me ajudou no parto, no dia 20 de Abril...se não fosse ela ainda estava cheia de dores a implorar pela epidural...
Bjinhos
De Ana a 20 de Maio de 2008 às 16:40
Cheguei aqui agora. Espero q teja tudo bem contigo e com o P. Estou a tentar engravidar mas sem pressas e acho q este blog vai ser mto condutor para mim. já li um bom bocado e estou a gostar. vou voltar p ler p traz e saber o q acontece sempre que escrevas. Um beijo e tudo bom.
De Anónimo a 1 de Junho de 2008 às 00:36
Olá a todas.Eu tive um parto de 3 minutos.Fui a última a entrar no bloco de partos e a primeira a sair.Acho que me posso considerar uma sortuda...sem dores,sem epidural,sem nada.Usufrui do momento que foi lindo.
De Sorriso a 5 de Junho de 2008 às 09:51
Então correu tudo bem? Foi cesariana, como estão todos?
BJKS

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O renovado Babyblues

Após vários meses de inactividade o Babyblues foi reestruturado. Sei que muitas pessoas gostam do blog e não quis desistir dele, no entanto como faço o blog num regime de voluntariado, houve um período de tempo de pouca disponibilidade para o actualizar. Agora renasceu aqui: http://baby-blues.blogs.sapo.pt/

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