Tudo sobre a gravidez
Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

2.ª Gravidez|Soldadinhos de chumbo

[Mês 1]

 

A concepção não é mais que uma batalha entre soldadinhos de chumbo e uma muralha inexpugnável. Aquele que conseguir entrar, ganha a batalha e inicia-se uma outra pela sobrevivência.

Antes mesmo de tentar engravidar, decidi comprar uma 'bíblia' sobre a gravidez: Concepção, Gravidez e Parto da Dra. Miriam Stoppard.

É nas páginas deste livro que esclareço as minhas dúvidas, os meus mitos, os meus medos.

Se eu quisesse descrever a minha 1.ª tentativa à luz das leituras deste livro, teria sido uma viagem alucinante entre o capítulo I - Preparação para o Parto, sem paragens, directamente para o capítulo X - Emergências Médicas.

Hoje ainda me pergunto porque é que tudo aquilo aconteceu.

Reformulando a pergunta, afinal o QUE É que aconteceu?

Ninguém me soube responder: nem o médico, nem os livros, ninguém. Ainda hoje busco essa resposta, para me sentir menos culpada.

Questiono-me se terá sido algo que fiz, se terá sido algo que não fiz, mas continuo sem resposta.

Por causa da ausência de respostas, tem sido difícil vencer o luto em que estou mergulhada. Sinto um misto de culpa, desespero (por não saber o que me reserva o futuro), raiva (por saber de outras pessoas que engravidam tão facilmente) e um desânimo sem fim.

Sinto-me só.

Optei por não partilhar com ninguém toda esta experiência dolorosa para evitar silêncios perturbadores, questões incovenientes e, porque simplesmente não quero falar do assunto.

O bébé que não cresceu, nem nasceu, não é tão real para os outros, como o foi para mim. E ninguém - que não tivesse passado pelo mesmo - iria compreender o meu desalento e a minha sensação de perda.

É normal chorar um bébé que nunca nasceu?

Não sei...

Para minha protecção emocional deveria tê-lo encarado apenas como uma reacção química e nada mais.

Segundo a minha 'bíblia' «a primeira gravidez tem mais probabilidades de abortar do que qualquer outra, podendo suceder em cada três.»

Poderá haver várias razões para o que aconteceu. O livro aponta duas:

« (...) um útero imaturo necessita de amadurecer com uma experiência, antes de estar apto  a levar uma gravidez a termo (...)»

« (...) defeitos nos espermatezóides ou nos óvulos que podem produzir malformações (...)»

Eu apresento a mim própria várias teorias empíricas que poderão ter influenciado tudo isto:

1- Quando engravidei tinha uma alimentação péssima, aliás passava horas cheia de fome;

2- Não tomava nenhum ácido fólico;

3- Pratiquei ginástica com algum impacto físico;

4- Estava ainda sob o efeito hormonal da pílula.

O que me preocupa é que volte a acontecer...

Se conseguir ficar grávida, terei que refrear a alegria, porque o facto de conseguir engravidar não viabiliza automaticamente a gravidez. Terei que me mentalizar que essa gravidez poderá não ter futuro...

publicado por xana às 07:47
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4 comentários:
De Gui a 17 de Junho de 2007 às 20:11
Compreendo perfeitamente aquilo por que estás a passar, pois eu encontro-me na mesma situação. Tive um aborto espontâneo em Novembro (já lá vão 7 meses) e estou a tentar engravidar desde Março.
Sinto uma enorme ansiedade que - apercebi-me hoje! - advém da necessidade de substituir a anterior gravidez (falhada), ou melhor, o embrião e futuro filho que já tanto amava.
Desde então, sinto uma revolta enorme ao ver grávidas (porque acabo sempre a pensar "porque é que comigo não correu tudo bem?") .
Anyway... Acho que é normal sentirmo-nos assim e temos o direito incontestável de nos sentirmos desta forma.
A mensagem que te deixo (e que vale para mim própria...) é: é muito cedo, ainda estás na fase de luto e... vai correr tudo bem!
É preciso "dar tempo ao tempo" (cliché um tanto ou quanto detestável, mas verdadeiro)...
De xana a 18 de Junho de 2007 às 12:02
Obrigada pelo teu comentário. É sempre bom saber que há alguém que já passou (e está a passar pelo mesmo) e que compreende a minha angústia e os meus medos.
De Cristina a 17 de Março de 2008 às 12:16
Afinal toda a gente tem sentimentos de culpa depois duma tragédia. Eu abortei 2 vezes. Grande sentimento de culpa! Deve ser... da idade! Deve ser ...do cigarro que não consegui deixar totalmente! Deve ser... da minha ansiedade! e não conseguia arranjar nenhuma causa para o sucedido que não tivesse uma grande carga de culpa minha. E claro que todas estas culpas eram atribuidas num silencio ensurdecedor. Esgotei-me fisica e psicologicamente com todo este peso da culpa. Agora que estou na 3ª tentativa quis livrar-me de todas as culpas, deixei de fumar há quase 3 meses, tomo ácido fólico , faço uma alimentação equilibrada e estou minimamente preparada para ser mãe mas também para que tudo aconteça de novo.
De Xana a 27 de Maio de 2009 às 13:52
É a primeira vez que me meto nestas aventuras cibernéticas para falar do que me aconteceu.
Perdi uma gravidez de um rapaz com 7 meses de gravidez há 8 meses aos 29 anos. Foi muito duro, era uma primeira gravidez, tudo corria bem. Quando ele morreu ninguém esperava e é um mundo que desaba sobre nós.
Hoje não culpo ninguém, a minha única solução é confiar em mim, na minha experiência adquirida e sobretudo na Natureza (e ñ em médicos e enfermeiras que por vezes não sabem o que fazem - ele morreu no hospital depois de eu estar internada lá 24 horas, pois ele tinha querido nascer - provavelmente ele quis foi sair…).
Tento engravidar há 5 meses, o stress, a pressão e o emprego levaram-me a desregular o meu ciclo (34, 42, 43 dias). No entanto, enquanto não temos filhos, penso que o fundamental é trabalhar a relação do casal - é tão bom ser casal quando estamos com quem verdadeiramente gostamos...
E tudo o resto virá um dia por acréscimo...
Boa sorte a todas!
Xana (2)

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