Tudo sobre a gravidez
Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

Semana 10

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pregnancy cartoon

Desenvolvimento Fetal:

O teu surpreendente e pequeno bébé tem tido um trabalho árduo em crescer o mais rapidamente possível, quase duplicando de tamanho nas passadas três semanas! E tu estarás a preparar-te para duplicar de tamanho nas próximas três semanas! O teu pequeno campeão ainda pesa menos de 15 gr. mas já completou o estádio mais crítico do seu desenvolvimento. Usando a tecnologia Doppler, o teu médico ou ginecologista pode deixar-te ouvir os seus pequenos e rápidos batimentos cardíacos esta semana (145-165 batimentos por minuto). As possibilidades de aborto estão agora muito reduzidas quando o batimento cardíaco é detectado, por isso respira de alívio. Não foram umas 10 semanas fáceis! O teu bébé prepara-se para fazer o seu primeiro cócó! Os seus órgãos mais importantes estão a desenvolver-se, inclusivé o aparelho digestivo capaz já de mover a comida para os seus intestinos. A estrela dourada na sua tabela de comportamento fetal desta semana: o desenvolvimento de mecanismos de defesa para protegê-lo através do reflexo!

 

Sintomas:

Mais boas notícias para a mamã: a placenta cresceu substancialmente de tamanho e de função e está a começar a controlar as hormonas do bébé, finalmente retirando-te a carga hormonal! Desde que a placenta começou gradualmente a assumir a produção hormonal para o bébé, vais começar a notar o decréscimo dos sintomas de enjoo matinal. Como é  óbvio isto é apenas uma norma geral. Se tiveres efeitos mais prolongados não te preocupes: a gravidez não é um procedimento padrão, mas uma viagem individual.

 

Blog da Jornalista Sarcástica: "Compra até cair (as tuas calças)"

«Comecei a comprar roupas de grávida logo que senti as minhas calças um pouco apertadas. Não interessava se a razão se devesse a uma grande refeição. Estava grávida e precisava de um novo guarda-roupa!

O único problema? Todas aquelas calças com faixas para a barriga não são feitas para uma mulher grávida de dez semanas que consumiu um bolo inteiro porque 'o bébé precisava'.

Fazer compras em lojas de pré-mãmã antes de efectivamente teres barriga é embaraçoso. É como aquelas vezes em que comprei revistas de noivas sem um anel de noivado no dedo. A maioria das pessoas pensa que estás a pôr o 'carro-à-frente-dos-bois'.

Sempre que entrava num desses estabelecimentos, esforçava-me ao máximo para não estabelecer contacto visual com as mulheres com grandes barrigas. Mesmo assim, em teoria, pertencíamos ao mesmo clube, mas elas pareciam mais qualificadas para procurar calças com faixas para a barriga do que eu.

Mas, o que vai uma rapariga fazer? Investir num abastecimento de calças de nove meses? Andar por aí com as minhas calças desabotoadas, esperando pelo dia em que cairão até aos joelhos?

Não, vou comprar as minhas calças e experimentá-las com as almofadas que deixam nos provadores.

Só não me peçam para sair do provador e mostrar como fica.»

[Textos traduzidos e adaptados do site pregnancy.baby-gaga.com]

As minhas impressões...

[13-09-2007] Por vezes olho para a minha barriga e acho que está tão pequena que penso que já lá não há nada! Por mais que leia, o meu medo irracional toma conta de tudo. As mulheres que engravidam e que nunca lhes aconteceu nada, vivem uma gravidez mais feliz e despreocupada. Nem sabem a sorte que têm! Hoje de manhã lá fui fazer as análises. O chato disto é que tenho que estar em jejum! Não me sinto mal disposta nem sinto muita fome de manhã, mas sabendo que estou grávida tento sempre ter mais cuidado com tudo. Tive que esperar uma hora. Havia lá um documento afixado a informar que as grávidas, crianças e idosos têm prioridade no atendimento. Olhei para a sala e a maioria das pessoas eram idosas. Se as assistentes seguissem à risca o artigo, ia ser uma grande confusão. Dia 21-09-2007 volto lá para levantar os resultados. Até lá continua a ansiedade e as orações para que tudo corra bem. Para além disso, tenho andado com mais stress devido a problemas de saúde da minha mãe. A minha ansiedade nem sabe para que lado se há-de virar, mas neste momento está a 100% com ela.


[14-09-2007] - Vivo de ansiedade em ansiedade. O ano de 2007 tem sido fértil em emoções e ânsias que me afogam num stress tal, que nem eu sei como ainda resisto. Primeiro foi a notícia de que teria de abortar; depois foi a ansiedade de não saber se conseguia engravidar novamente e a dor que sentia sempre que via pessoas grávidas; depois ao engravidar pela segunda vez começou a ansiedade de saber se haveria um bater de coração; agora é a minha mãe que está hospitalizada; e mais tarde será a grande ânsia da ecografia das 12 semanas e posteriormente o resultado do rastreio pré-natal. Tenho ansiedade suficiente para dar e vender. Este ano tem sido bastante exigente a nivel emocional. Pelo menos posso contar com o apoio da minha entidade patronal que tem sido compreensiva como poucas o seriam em circunstâncias idênticas, tendo em conta que colaboro com eles apenas há 8 meses.

 

[17-09-2007] - Decidi tornar-me associada da Associação Ártemis. Apesar de estar sedeada em Braga, a 300km do local onde vivo, acho que o seu trabalho é meritório. É uma associação que presta apoio a mulheres que sofreram perdas através de aborto espontâneo e/ou fetal. O aborto é um assunto tabu, mesmo que uma mulher o sofra sem o desejar. Quase ninguém revela que já sofreu uma perda como esta. Eu sou uma delas. Revelo-o neste blog sob anonimato, porque detesto que as pessoas me massacrem com o mesmo assunto, quando quero é esquecê-lo. A minha atitude é cobarde comparando com os testemunhos dados por mulheres desta associação que decidiram dar a cara para apoiar pessoas como eu. Foi ao ler os testemunhos que ganhei forças para voltar a sonhar. Só o facto do site existir e dar apoio anónimo é uma mais valia para todas as mulheres anónimas que sofreram ou ainda sofrem em silêncio. A associação respeita a nossa privacidade e coloca ao nosso dispôr aconselhamento psicológico presencial e/ou por telefone para nos apoiar nestas horas tão difíceis após a perda de alguém que seria o nosso filho, se tudo tivesse corrido bem. Apelo a todas as mulheres que já sofreram uma perda como a minha que visitem o site da Associação Ártemis - http://www.associacaoartemis.com - e que leiam os testemunhos onde encontrarão um pouco mais de compreensão e refúgio. Eu encontrei muito alento neste site e acho que para que esta associação possa ajudar mais mulheres como eu, necessita de todo o nosso apoio quer como associadas (5,00€/mês), quer como voluntárias. Em Portugal as mulheres que sofrem de aborto são muitas vezes confundidas com aquelas que fazem interrupções voluntárias da gravidez e acabam por não ser muito apoiadas na sua dor. Fiquei uma vez chocada ao ouvir uma mulher dizer que quando se sofre um aborto com poucas semanas que não se sofre tanto, que não era 'um bébé a sério'. Para mim a dor é inquestionável e a sua intensidade não é uma questão que se coloque quando se sofre uma perda de um 'futuro' filho tão desejado. A dor existe e é sentida.

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publicado por xana às 00:01
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6 comentários:
De a 3 de Outubro de 2007 às 10:44
Está quase...
Bem, eu tb doi por mim a rezar ferverosamente à noite. Coisa que já nao acontecia há uns bons quase 4 anos...
De xana a 3 de Outubro de 2007 às 17:36
Pois é, acho que nunca rezei tanto como este ano!
De a 4 de Outubro de 2007 às 12:40
Estou a torcer com muita força por ti e pelo o teu montinho de células que vai ser super promovido hoje :)
De milah a 6 de Outubro de 2007 às 14:48
também conheço esta ansiedade...mas, como você mesma disse é muito importante manter a esperança. Ela é como a luz de Deus acesa dentro de nós. É o que não pode nos faltar, nunca.
Desejo-te muito boa sorte! Um abraço.
De Amélia a 9 de Outubro de 2007 às 12:26
Olá... sou novata por aqui, mas não queria deixar de partilhar a minha alegria e o meu medo.

Estou grávida de 8 semanas e muito ansiosa.
Em Fevereiro de 2006, com 11 semanas tive que interromper a gravidez porque não tinha um embrião viável ... às 10 semanas na 1.ª eco surgiram suspeitas constatando-se um forma pouco definida . Passado uma semana a eco foi repetida e suspeitas confirmaram-se tendo sido internada e procedeu-se a interrupção da gravidez. Ainda hoje tenho dificuldades de falar do assunto. Apesar de não ter tido sofrimento físico o psicológico arrasta-se ate hoje. depois veio o luto e uma dor e as perguntas. porque eu? porque aconteceu? alguns meses depois e após varias febres foi-me diagnosticado um vírus, mononucleose , que possivelmente terá sido a minha causa de aborto, depois foi uma luta para criar imunidade , em Junho finalmente criei resistência e parti para uma nova aventura ... engravidar...
no inicio de Setembro descobri que estava grávida, e o pânico apoderou-se de mim. desde então não consigo deixar de pensar no que pode acontecer. na primeira consulta com a obstetra, às 7 semanas (pelas minhas contas)ainda não sentiram batimentos cardíacos o que me deixou preocupara. agora aguardo impacientemente a 1.ª eco para saber se tudo está bem.


Espero que tudo corra bem mas as dividas são mais do que muitas.
Obrigada por escutarem este desabafo...
De xana a 9 de Outubro de 2007 às 17:27
Não há palavras de conforto para quem já passou por um aborto. Não queremos falar porque a perda é tão grande que nos deixa sem palavras e destituídas de emoções.
Eu decidi viver um dia de cada vez: cada dia cheio de ansiedade, de medo, de suposições, de sustos, no entanto quando a vida quer vencer, vence. Contra medos, sustos, ansiedades a vida continua a desenvolver-se dentro de mim, mas vivo-a dia-a-dia, não fazendo muitos planos, por enquanto.
Logo que lhe seja detectado um bater de coração pode respirar de alívio. Até lá muita força!

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O renovado Babyblues

Após vários meses de inactividade o Babyblues foi reestruturado. Sei que muitas pessoas gostam do blog e não quis desistir dele, no entanto como faço o blog num regime de voluntariado, houve um período de tempo de pouca disponibilidade para o actualizar. Agora renasceu aqui: http://baby-blues.blogs.sapo.pt/

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